sábado, 14 de janeiro de 2012

2000 - A criação da Fórmula Júnior e Lei de Incentivo no MS

Primeira volta no F-Júnior em Curitiba



                     O ano de 2000 começou com dois acontecimentos, o surgimento da categoria escola da CBA, a Fórmula Júnior e em Mato Grosso do Sul da Lei de Incentivo ao Esporte, foi uma notícia que mexeu com todos os esportistas, a esperança havia voltado. Deus abençoou minha carreira, tinha uma chance única, uma categoria para quem estava iniciando no Automobilismo e uma lei de incentivo para buscar recursos. A lei funcionava assim, o Governo do MS destinava 5% da arrecadação do ICMS ao esporte, era preciso ser feito um projeto e apresentá-lo na Secretaria do Governo MS, seria avaliado e caso aprovado o esportista teria que trocar o bônus em empresas interessadas.
                    Fizemos o projeto e conseguimos a aprovação, foi uma felicidade muito grande, buscamos então a empresa, fomos na Brasil Telecom, ela aceitou em fazer a parceria, pronto, minha participação na Fórmula Júnior estava confirmada. Nessas horas eu paro e penso, as coisas mudam, sempre existe uma esperança. Fui para o treino inaugural da categoria em Curitiba/PR, quando entrei no carro parecia uma lata de sardinha, apertado, os movimentos eram bem limitados. Era só uma apresentação da categoria, então o giro do motor estava limitado, o carro na pista era diferente de tudo o que eu havia pilotado, as marchas eram bem curtas, a resposta do voltante era rápido, utilizava o motor 1.6 chevrolet e um chassis argentino.



com o pessoal do governo e brasil telecom




                   Seriam realizados treinos para a pré-temporada, em Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro. No começo a adaptação nao foi muito difícil, fui melhorando gradativamente os tempos, procurei aprender primeiro do equipamento, dos circuitos, era tudo muito novo para mim, a tocada era muito precisa, nao aceitava erros. Terminei os treinos de pré-temporada entre os 5 melhores tempos, fiquei bastante satisfeito, ja estava apreensivo para a 1ª etapa que seria em Curitiba.
                  Nosso trabalho de mídia estava muito bom, a imprensa estava apoiando bastante, para um esportista e para a empresa é algo vital. Na 1ª etapa em Curitiba foi bem nos treinos, precisava melhorar, estava é claro em fase de aprendizado, não seria na primeira corrida que andaria bem. Todos os pilotos da categoria eram iniciantes, mas haviam nomes fortes do kartismo brasileiro, como Raphael Matos, Julio Campos, Diego Freitas, José Luis Medrado, Zeca Cardoso, João Palazzo, Duda Azevedo, Giuseppe Vecci, Luis Sobral, entre outros. Na Tomada de Tempos marquei o 5º tempo, os tempos estavam bem próximos e a disputa na corrida seria acirrada. Na corrida fiz uma boa largada e mantive a pocisão, fui acompanhando o ritmo do pelotão da frente, fui para 4º lugar na metade da corrida e faltando algumas voltas fui para 3º lugar terminando a 1ª etapa no podio, fiquei muito feliz, estava bastante realizado, minha familia ficou muito feliz.

                     3ºlugar - 1ªetapa Curitiba/PR

                    Para a 2ª etapa que seria novamente em Curitiba estava mais confiante, nos treinos estava rápido, terminei entre os 3 primeiros com chances de conquistar a pole position. Junto com os mecânicos que preparavam meu carro, fizemos um bom acerto para a tomada de tempo, tinha alguns pontos que precisava melhorar. Fui para a classificação, e me concentrei ao máximo nos pontos em que precisava melhorar, consegui melhorar e marquei a pole position, fiquei muito feliz, estava bastante realizado. O domingo amanheceu chovendo, fiquei preocupado, todo trabalho de acerto agora não servia para nada, para completar no Warm-up escapei na subida para o pinheirinho e acabei batendo, a coisa ficou tensa, os mecânicos da categoria se mobilizaram e conseguiram fazer as reparações. Fui para a corrida sem o acerto ideal para a chuva, era o que Deus quizer. Larguei bem, mas na primeira volta ja fui ultrapassado, meu carro nao tinha condições de ser guiado, a chuva apertou, procurei não arriscar muito, me mantia na pista pelo menos, quando terminou não fazia ideia de que posição tinha chegado, acabei em 6 º lugar.



Pole position na Fómula Júnior




                     Estava em momento muito bom da minha carreira, me dedicando bastante, aprendendo cada vez mais, fazendo marketing, estava muito feliz, não deixava subir na cabeça nem mudar a pessoa que eu era, estava aproveitando a oportunidade que Deus havia me dado naquele momento da minha vida.
                    Fui competir agora em São Paulo, celeiro do automobilismo brasileiro, é um lugar onde qualquer piloto quer estar, senti muita difículdade no traçado, nos treinos fiquei entre os 5 primeiros. Na tomada de tempo marquei o 6º tempo. Fiz uma corrida de recuperação e acabei na 4ª posição. Na etapa de Goiânia fui regular novamente, era uma pista nova, não havia pressão em parte alguma, todos sabiam que precisava aprender muito, precisava de calma e tranquilidade para desenvolver meu trabalho, terminei a etapa novamente em 4º lugar.



Brasileiro de kart cat. fórmula A





                    Em julho iria acontecer em Campo Grande / MS o Campeonato Brasileiro de Kart, fui para o kartódromo acompanhar apenas, quando surgiu a oportunidade de participar, me emprestaram o equipamento, a Brasil Telecom patrocinou as despesas de inscrição e combustível. Era uma chance boa de matar a vontade do kart e da pista onde aprendi, o equipamento era algo novo, o motor 100 cc tinha uma outra tocada e estilo de carburação, sofri pra caramba, estavam na disputa Sergio Jimenez, Lucas Di Grassi, Roberto Streit e Gustavo Sonderman. Acabei termiando em 10º lugar, apesar de não ter obtido um bom resultado valeu a experiência, foi mais um aprendizado na minha carreira, estava focado mesmo na Fórmula Júnior, queria melhorar meu desempenho.



Etapa junto com a F-Truck





              Estava me preparando para a segunda metade do campeonato, disputaria agora no Autodromo do Rio de Janeiro, outra pista nova, consegui um bom acerto nos treinos, mas ainda estava muito limitado, não tinha uma evolução expressiva. Na tomada de tempo larguei na 5ª posição, para a corrida me mantive regular, sem cometer erros, mas sofri um toque e acabei abandonando.
              A próxima etapa seria uma rodada dupla em Curitiba, ja tinha um conhecimento da pista o que me trazia uma certa confiança, nos treinos meu equipamento não estava com um bom desempenho, estudei com meus mecânicos o que poderia estar acontecendo e não chegamos a um fator decisivo. Larguei em 6 º lugar, fiz uma corrida de recuperação e terminei em 4º lugar. Na outra etapa, completei novamente em 4º lugar. Comecei a me preocupar, o campeonato estava terminando e precisava de um bom resultado, estava começando a pensar na próxima temporada, a melhor categoria para mim era a Fórmula Chevrolet. Pensando nisso resolvemos contratar um assessor técnico que trabalhava na M4T, uma equipe da Fórmula Chevrolet.
              Agora com o Marcelo me ajudando no acerto do carro as coisas poderiam melhorar, partimos para a etapa de São Paulo, procuramos um acerto de chassis, o carro ficou melhor, melhorei os tempos, mas o problema estava no motor, nao tinha desenvolvimento, ai não tinha o que fazer, uma troca de motor era arriscada, resolvemos ficar com o mesmo. Na classificação fiz o 4º tempo, fiz uma corrida boa, estava na 3º posição, sofri um toque e sai da pista, voltei na 7ª posição, me recuperei e terminei na 5ª colocação.



meu pai comigo no podio




                 Restavam duas etapas que aconteceriam em Curitiba, minha regularidade rendeu frutos, estava na disputa pela Copa Verão, o que representava a segunda metade do campeonato. Nos treinos fizemos um bom acerto do carro e terminei entre os 3 primeiros, tinha a pista de Curitiba bem na mão, na tomada de tempo marquei o 4º tempo, na corrida busquei melhorar meu ritmo e me manter nas primeiras pocisões, terminei em 5 º lugar. Para a última etapa estava largando em 3º lugar com chances de ser campeão da copa, fiz uma boa largada e me mantive em 3º, durante a corrida meu ritmo era forte, com o 3º lugar eu era campeão da copa, mas um parafuso da suspensão quebrou, consegui terminar em 5º lugar, e acabei ficando com o vice-campeonato.
                  A Brasil Telecom ficou satisfeita com o trabalho realizado e confirmou a parceria perante a apresentaçao do bonus no ano seguinte, também me acertei com a M4T como equipe para a Fórmula Chevrolet na categoria B. Fiquei bastante animado, comecei minha preparação para a proxima temporada.




Vice-Campeão da Copa Verão






































2 comentários:

  1. Olá Rafa, realmente aí está toda história da F jr, uma categoria que nós fomos os primeiros a andar e testar os carros, e como era bom aquele inicio de carreira no automobilismo de verdade, fora dos kartódromos indo para os autódromos, fizemos grandes amizades, era um tempo muito bom e tenho certeza que foi um grande aprendizado a todos que lá estiveram, mesmo os que seguiram carreira ou não como eu por exemplo. Obrigado por lembrar de mim como parte integrante disso tudo, fiz boa amizades e você foi uma delas irmão, torço por você. Forte abraço.

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  2. Sobre a F-Jr.
    Receio que o chassi argentino, seja um Crespi, modleo já usado na Formula 4 Argentina.

    Torço por ti na Copa Montana

    Abraço
    Ramon Mendes

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